Quixadá. Estimativa de 40% para uma estação chuvosa dentro
da normalidade. De 35% para ser acima da média e de 25% abaixo dos índices
históricos. Ao divulgarem suas previsões na última quarta-feira, os técnicos da
Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) não utilizavam
somente seus estudos climáticos para prever o inverno deste ano no Ceará.
Números, muitos deles, auxiliam na tradução de suas
observações, aguardadas com expectativa por quem mora nos grandes centros
urbanos e quem depende desse fenômeno para sobreviver. Esse subsídio técnico é
a Estatística.
“Diga-me algo que transformo em números e estes números os
transformo em informações”. É assim que se expressa o PhD em Estatística,
Ailton Andrade, sobre sua especialidade. Ele se refere a essa técnica de
captação de dados numéricos para comparação e interpretação como uma proposta,
uma ligação entre o mundo real, cheio de incertezas e acasos, ao mundo exato da
análise, o qual tem como base a Matemática. O estatístico faz isso por meio de
modelos sofisticados, que permitem medir a incerteza de qualquer fenômeno.
Não é à toa que a profissão de estatístico é a terceira mais
valorizada nos Estados Unidos. O grande volume de informações produzido pelo
mundo moderno (internet, bolsas de valores, acesso a bibliotecas, entre outros)
precisa ser analisado adequadamente. Esse suporte ocorre por meio da
estatística. Onde houver incerteza, essa ferramenta pode ser usada. Assim,
todas as áreas do conhecimento humano a requerem como instrumento de análise de
dados. O trabalho do estatístico consiste em planejar, coletar, tabular,
analisar e interpretar as informações coletadas no estudo.
É por meio dessas atividades que o profissional da área
realiza um levantamento analítico, seja de pesquisa de opinião, verificação da
eficácia de medicamentos, previsões no mercado financeiro ou previsões
climáticas. Pode-se dizer que o estatístico utiliza a Matemática para aplicação
na vida cotidiana. O recenseamento, as pesquisas de intenção de voto e os
testes de qualidade de produtos são exemplos.
Por meio dos números é que ainda se pode interpretar o
contexto econômico-social de uma determinada região. O estatístico pode ainda
trabalhar com pesquisas de mercado e de perfil de consumidores; na internet,
pela criação de programas de busca e bancos de dados digitais e na
Bioestatística, analisando e interpretando os dados de pesquisas científicas
nas áreas de Ciências Biológicas e da Saúde.
Segundo o professor Ailton Andrade, a Estatística mais
moderna, a Bayesiana, permite o uso de várias fontes de informação sobre o
mesmo fenômeno. Pode-se usar tanto a informação amostral (dados científicos)
como a informação subjetiva (opiniões, experiências etc). Essas duas fontes de
informação, de naturezas diferentes, podem ser fundidas em uma única fonte de
informação pelo famoso Teorema de Bayes (daí o nome “Bayesiana”), de forma a
produzir informações mais precisas.
“O mais interessante é que se uma das fontes não existe,
ainda sim a Estatística pode trabalhar com uma delas e produzir resultados.
Dessa forma, na área de previsões climáticas, pode ser usada para tratar tanto
das informações científicas, obtidas por meio de estudos da atmosfera, imagens
de satélites etc, como das informações subjetivas, obtidas pela observação da
natureza no micro sistema de interesse”, afirma ele.
Segundo observa, é nesse ponto que surge um certo
preconceito dos meteorologistas em relação aos profetas da chuva. Por não ser
uma informação científica, eles acham que os profetas somente têm uma
importância cultural. “Isso não é necessariamente verdade”, considera o
pesquisador.
Colaborador
Publicado
em:
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=609209
Realmente, a estatística está presente em praticamente todas as áreas. E como falou neste artigo, em meteorologia principalmente em estudos de climatologia e previsões. Vanessa Ferreira
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