Jornais, televisão, rádio,
revistas e outros meios de comunicação nos bombardeiam, diariamente, com
notícias, baseadas em estatísticas, como se fossem verdades absolutas. Nessa
hora, provavelmente, você sente a importância de ser capaz de avaliar corretamente o que lhe dizem. Todavia, será
que os números apresentados resultam de uma análise estatística cuidadosa? O
perigo está no fato de que, se não consegue distinguir as afirmações falsas das
verdadeiras, então você está vulnerável à manipulação por outras pessoas, cujas
conclusões podem conduzir você para decidir contra os interesses seus e,
depois, arrepender-se. Por estas razões, conhecer Estatística é um grande passo
no sentido de você tomar controle da sua vida (embora não seja, obviamente, a
única maneira necessária para esta finalidade).
Observe os seguintes exemplos de
afirmações recentemente publicadas em dez meios de comunicação (não estou
dizendo que cada uma delas seja verdadeira).
Sua expectativa é de que a inflação feche o ano entre 6% e
7%. (Folha de São Paulo, Dinheiro, 16 de maio de 2005).
Atualmente, a taxa de
pacientes com câncer de pulmão que não apresentam reincidência depois de cinco
anos de tratamento é de 17% – um avanço de 70% em relação à década de 70.
(Revista Veja, edição 1905, 18 de maio de 2005).
As projeções de
mercado para o IPCA de 2005 subiram de
6,30% para 6,39% em pesquisa semanal feita pelo Banco Central e divulgada hoje.
(O Estado de São Paulo, 16 de maio de 2005).
Um estudo da Corporate
Executive Board mostrou que a produtividade de um
funcionário brilhante chega a ser até 12 vezes superior à do colega
mediano.(Revista Exame, edição 841, 27 de abril
de 2005).
De acordo com a Embratur
(Empresa Brasileira de Turismo), a companhia aérea trouxe 1.473.183 dos
6.138.000 passageiros que entraram no país no ano passado, o equivalente a 24%
desses passageiros.(Revista Aeromagazine,
Notícias, 16 de maio de 2005).
IBGE: Emprego industrial cai 0,2% em Março (JB
Online, 16 de maio de 2005).
Nordestinos já são 52,6% dos
migrantes (Jornal O Globo, 16 de maio de 2005).
Comércio varejista
cresce 1,75% em volume de vendas e 2,44% em receita nominal (IBGE, 12 de maio de 2005).
Se a vítima não fosse o prefeito de Santo André, o impacto
não seria o mesmo e o caso teria sido tratado como mera estatística. (Márcio
Coimbra em http://www.ambito -juridico.com.br/aj/cron0237.htm).
Todas essas notícias são, na sua
essência, Estatística. Elas parecem familiares, embora os exemplos sejam de
áreas bastante distintas: economia, medicina, gestão, turismo, social,
investimentos, comércio e até política. Em resumo, os números (também expressos
por meio de tabelas e gráficos) e a interpretação deles surgem nos discursos de
praticamente todo aspecto da vida contemporânea.
Desse modo, as estatísticas são, frequentemente, apresentadas como um
testemunho de credibilidade a um argumento ou a uma recomendação, fato que você
pode comprovar ouvindo o veiculado nos meios de comunicação: o primeiro
pensamento é acreditar na notícia como se fosse verdade absoluta. Recorde-se,
então, do ex-primeiro-ministro britânico Benjamin Disraeli (1804-1881), quando afirmou que “Há três espécies de mentiras: mentiras,
mentiras deslavadas e estatísticas”.
No entanto, Estatística é método,
ciência e arte. É método quando, na Física, na Biologia, na Medicina ou na
Pedagogia, aplica-se a populações específicas, isto é, serve a uma ciência
particular, da qual se torna instrumento. É ciência quando, graças às suas
teorias, estuda grandes conjuntos, independentemente da natureza destes, sendo autônoma e universal. Finalmente, é arte na
construção de modelos para representar a realidade.
Assim sendo, nem tudo está perdido, porque a Estatística pode ajudar você a reagir de modo inteligente às informações que lê ou escuta e, neste sentido, torna-se um dos mais importantes assuntos que provavelmente estudou.
O presente artigo tem o objetivo de motivar você a ser mais um dos
consumidores inteligentes de estatísticas e, para ser um deles, o primeiro
passo é refletir e começar a questionar
aquelas que encontrar. Por esta razão, convido você a reformar os seus hábitos
estatísticos a partir de agora. Simplesmente, não mais aceite números, tabelas,
gráficos e conclusões. Ao invés disso, comece a pensar nas fontes de informação
e, mais importante, nos procedimentos usados para gerar essa informação.
Defenda-se contra afirmações falsas, embrulhadas como se fossem estatísticas.
Aprenda a reconhecer se uma evidência estatística apóia, realmente, uma conclusão apresentada.
A Estatística está toda ela em
volta de você, algumas vezes usada de modo adequado, outras vezes não. Como o objetivo da Estatística é auxiliar a sua
tomada de decisões em situações de incerteza, distinguir as boas das más
estatísticas é, mais do que nunca, um dever, uma obrigação.
Paulo Afonso Lopes
Estatístico
Fonte: Material de Apoio Caderno
de Estatística/Curso Licenciatura em
História/Uniasselvi.

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