Estatística e Meteorologia: 2012

sábado, 15 de dezembro de 2012

O que os usuários procuram sobre meteorologia na internet?

Por: Luiz Rodrigo Tozzi

Para quem não sabe, o Google Trends é uma ferramenta interessante que analisa o banco de dados de busca do Google e retorna estatísticas a respeito de uma palavra chave. Com isso é possível saber se houve ou não um aumento de procura por uma determinada informação e tentar entender o porquê.

Resolvi checar como andam as buscas por páginas e notícias relacionadas a meteorologia no Brasil e no mundo. Escolhi cinco palavras chave e eis o resultado:
 
O resultado tem 3 partes: um gráfico de buscas de sites (parte de cima), outro de notícias e uma espécie de ranking detalhado de quais regiões e cidades mais buscaram os termos. Solicitei o resultado para todo o Brasil e por todo o período disponível.

A primeira constatação é a maior quantidade de buscas por "Previsão do tempo" do que por "Meteorologia" no gráfico de cima. Apesar disso parecer meio óbvio, não acontece quando pedimos o gráfico para o mundo todo (como na figura abaixo). Aqui pode-se ver que em Portugal usa-se mais o termo "Meteorologia" do que "Previsão do tempo", o contrário do Brasil!
 


Outra coisa interessante é como a palavra chave "Climatempo" se destaca das demais, só perdendo para a própria "Previsão do tempo". Fazendo uma análise apenas no ano de 2007 é possível ver o quanto a empresa vinculou bem seu nome ao serviço (próxima figura). Acompanhe como as curvas andam semelhantes. É o efeito Gillette!

 
Enquanto isso o CPTEC/INPE, até por ser uma instituição de pesquisa, está diretamente vinculado ao termo "Meteorologia", como mostra a figura seguinte.
 
 

Mais outra coisa que notei no primeiro gráfico foi como o termo "Mudanças climáticas" tinha ocorrência na busca de notícias mas isso não se revertia em buscas por páginas. Depois de quebrar um pouco a cabeça, vi que a mídia usava o termo "Mudanças climáticas", mas o jargão popular era "Aquecimento global". Na figura abaixo dá para ver o quanto o segundo termo foi mais popular que o primeiro, mesmo com quase a mesma taxa de busca de notícias.

 

Detalhe também que a maior parte das buscas por "Mudanças climáticas" veio de Brasília e de Fortaleza, provavelmente devido ao peso do INMET e da FUNCEME na divulgação científica das reuniões climáticas sazonais.
 
Algo que eu também esperava ver no Google Trends era a mistura entre os termos "Previsão de tempo" e "Clima". No Brasil é costume pensar que ambas se referem a mesma coisa e o gráfico abaixo mostra que o raciocínio procede.
 

Por último, algo que me chamou a atenção logo naquele primeiro gráfico geral foi a quantidade de buscas provenientes da Região Sul do Brasil. Eu esperaria, por padrão, que o Sudeste ficasse na frente das buscas mas foi vista uma supremacia da região, puxada por Santa Maria (sede da UFSM). Na prática, a barrinha verde de "Previsão do tempo" de RS é maior que a soma de SP e RJ!

Capaz! Essa meteorologia surpreende a gente!

Luiz Rodrigo Tozzi
http://thedealwith.blogspot.com.br/2008/01/o-que-os-usurios-procuram-sobre.html
 

 

Entendendo a importância da Estatística sem ser gênio, matemático ou bruxo

Por Paulo Afonso Lopes

Jornais, televisão, rádio, revistas e outros meios de comunicação nos bombardeiam, diariamente, com notícias, baseadas em estatísticas, como se fossem verdades absolutas. Nessa hora, provavelmente, você sente a importância de ser capaz de avaliar corretamente o que lhe dizem. Todavia, será que os números apresentados resultam de uma análise estatística cuidadosa? O perigo está no fato de que, se não consegue distinguir as afirmações falsas das verdadeiras, então você está vulnerável à manipulação por outras pessoas, cujas conclusões podem conduzir você para decidir contra os interesses seus e, depois, arrepender-se. Por estas razões, conhecer Estatística é um grande passo no sentido de você tomar controle da sua vida (embora não seja, obviamente, a única maneira necessária para esta finalidade).

Observe os seguintes exemplos de afirmações recentemente publicadas em dez meios de comunicação (não estou dizendo que cada uma delas seja verdadeira).

Sua expectativa é de que a inflação feche o ano entre 6% e 7%. (Folha de São Paulo, Dinheiro, 16 de maio de 2005).

Atualmente, a taxa de pacientes com câncer de pulmão que não apresentam reincidência depois de cinco anos de tratamento é de 17% – um avanço de 70% em relação à década de 70. (Revista Veja, edição 1905, 18 de maio de 2005).

As projeções de mercado para o IPCA de 2005 subiram de 6,30% para 6,39% em pesquisa semanal feita pelo Banco Central e divulgada hoje. (O Estado de São Paulo, 16 de maio de 2005).

Um estudo da Corporate Executive Board mostrou que a produtividade de um funcionário brilhante chega a ser até 12 vezes superior à do colega mediano.(Revista Exame, edição 841, 27 de abril de 2005).

De acordo com a Embratur (Empresa Brasileira de Turismo), a companhia aérea trouxe 1.473.183 dos 6.138.000 passageiros que entraram no país no ano passado, o equivalente a 24% desses passageiros.(Revista Aeromagazine, Notícias, 16 de maio de 2005).

IBGE: Emprego industrial cai 0,2% em Março (JB Online, 16 de maio de 2005).

 Os investidores que colocam todo seu dinheiro em uma única ação estão elevando em mais de 50% a chance de queda do poder de compra de seu investimento em um período de 20 anos, aponta o estudo. (JB Online, 17 de abril de 2005).

Nordestinos já são 52,6% dos migrantes (Jornal O Globo, 16 de maio de 2005).

Comércio varejista cresce 1,75% em volume de vendas e 2,44% em receita nominal (IBGE, 12 de maio de 2005).

Se a vítima não fosse o prefeito de Santo André, o impacto não seria o mesmo e o caso teria sido tratado como mera estatística. (Márcio Coimbra em http://www.ambito -juridico.com.br/aj/cron0237.htm).

Todas essas notícias são, na sua essência, Estatística. Elas parecem familiares, embora os exemplos sejam de áreas bastante distintas: economia, medicina, gestão, turismo, social, investimentos, comércio e até política. Em resumo, os números (também expressos por meio de tabelas e gráficos) e a interpretação deles surgem nos discursos de praticamente todo aspecto da vida contemporânea.

Desse modo, as estatísticas são, frequentemente, apresentadas como um testemunho de credibilidade a um argumento ou a uma recomendação, fato que você pode comprovar ouvindo o veiculado nos meios de comunicação: o primeiro pensamento é acreditar na notícia como se fosse verdade absoluta. Recorde-se, então, do ex-primeiro-ministro britânico Benjamin Disraeli (1804-1881), quando afirmou que “Há três espécies de mentiras: mentiras, mentiras deslavadas e estatísticas”.

No entanto, Estatística é método, ciência e arte. É método quando, na Física, na Biologia, na Medicina ou na Pedagogia, aplica-se a populações específicas, isto é, serve a uma ciência particular, da qual se torna instrumento. É ciência quando, graças às suas teorias, estuda grandes conjuntos, independentemente da natureza destes, sendo autônoma e universal. Finalmente, é arte na construção de modelos para representar a realidade.

Assim sendo, nem tudo está perdido, porque a Estatística pode ajudar você a reagir de modo inteligente às informações que lê ou escuta e, neste sentido, torna-se um dos mais importantes assuntos que provavelmente estudou.

O presente artigo tem o objetivo de motivar você a ser mais um dos consumidores inteligentes de estatísticas e, para ser um deles, o primeiro passo é refletir e começar a questionar aquelas que encontrar. Por esta razão, convido você a reformar os seus hábitos estatísticos a partir de agora. Simplesmente, não mais aceite números, tabelas, gráficos e conclusões. Ao invés disso, comece a pensar nas fontes de informação e, mais importante, nos procedimentos usados para gerar essa informação. Defenda-se contra afirmações falsas, embrulhadas como se fossem estatísticas. Aprenda a reconhecer se uma evidência estatística apóia, realmente, uma conclusão apresentada.

A Estatística está toda ela em volta de você, algumas vezes usada de modo adequado, outras vezes não. Como o objetivo da Estatística é auxiliar a sua tomada de decisões em situações de incerteza, distinguir as boas das más estatísticas é, mais do que nunca, um dever, uma obrigação.

 
Paulo Afonso Lopes

Estatístico


Fonte: Material de Apoio Caderno de Estatística/Curso Licenciatura em História/Uniasselvi.
 

 

Estatística é a base para previsões meteorológicas

Especialista expõe a importância dos estudos analíticos e seu apoio na interpretação das previsões meteorológicas

Quixadá. Estimativa de 40% para uma estação chuvosa dentro da normalidade. De 35% para ser acima da média e de 25% abaixo dos índices históricos. Ao divulgarem suas previsões na última quarta-feira, os técnicos da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) não utilizavam somente seus estudos climáticos para prever o inverno deste ano no Ceará.

Números, muitos deles, auxiliam na tradução de suas observações, aguardadas com expectativa por quem mora nos grandes centros urbanos e quem depende desse fenômeno para sobreviver. Esse subsídio técnico é a Estatística.

“Diga-me algo que transformo em números e estes números os transformo em informações”. É assim que se expressa o PhD em Estatística, Ailton Andrade, sobre sua especialidade. Ele se refere a essa técnica de captação de dados numéricos para comparação e interpretação como uma proposta, uma ligação entre o mundo real, cheio de incertezas e acasos, ao mundo exato da análise, o qual tem como base a Matemática. O estatístico faz isso por meio de modelos sofisticados, que permitem medir a incerteza de qualquer fenômeno.

 Aplicações

 O estudioso explica que grande parte das hipóteses científicas, independentemente da área, precisa passar por um estudo estatístico para ser comprovada ou refutada, como é o caso da eficácia de medicamentos; dos métodos de melhoria de desempenho físico; sobre a opinião popular de novos produtos; previsões climáticas etc. “Nenhum remédio pode ir para o mercado se não tiver sua eficácia estatisticamente comprovada”, destaca o pesquisador.

Não é à toa que a profissão de estatístico é a terceira mais valorizada nos Estados Unidos. O grande volume de informações produzido pelo mundo moderno (internet, bolsas de valores, acesso a bibliotecas, entre outros) precisa ser analisado adequadamente. Esse suporte ocorre por meio da estatística. Onde houver incerteza, essa ferramenta pode ser usada. Assim, todas as áreas do conhecimento humano a requerem como instrumento de análise de dados. O trabalho do estatístico consiste em planejar, coletar, tabular, analisar e interpretar as informações coletadas no estudo.

É por meio dessas atividades que o profissional da área realiza um levantamento analítico, seja de pesquisa de opinião, verificação da eficácia de medicamentos, previsões no mercado financeiro ou previsões climáticas. Pode-se dizer que o estatístico utiliza a Matemática para aplicação na vida cotidiana. O recenseamento, as pesquisas de intenção de voto e os testes de qualidade de produtos são exemplos.

Por meio dos números é que ainda se pode interpretar o contexto econômico-social de uma determinada região. O estatístico pode ainda trabalhar com pesquisas de mercado e de perfil de consumidores; na internet, pela criação de programas de busca e bancos de dados digitais e na Bioestatística, analisando e interpretando os dados de pesquisas científicas nas áreas de Ciências Biológicas e da Saúde.

Segundo o professor Ailton Andrade, a Estatística mais moderna, a Bayesiana, permite o uso de várias fontes de informação sobre o mesmo fenômeno. Pode-se usar tanto a informação amostral (dados científicos) como a informação subjetiva (opiniões, experiências etc). Essas duas fontes de informação, de naturezas diferentes, podem ser fundidas em uma única fonte de informação pelo famoso Teorema de Bayes (daí o nome “Bayesiana”), de forma a produzir informações mais precisas.

“O mais interessante é que se uma das fontes não existe, ainda sim a Estatística pode trabalhar com uma delas e produzir resultados. Dessa forma, na área de previsões climáticas, pode ser usada para tratar tanto das informações científicas, obtidas por meio de estudos da atmosfera, imagens de satélites etc, como das informações subjetivas, obtidas pela observação da natureza no micro sistema de interesse”, afirma ele.

Segundo observa, é nesse ponto que surge um certo preconceito dos meteorologistas em relação aos profetas da chuva. Por não ser uma informação científica, eles acham que os profetas somente têm uma importância cultural. “Isso não é necessariamente verdade”, considera o pesquisador.

 ALEX PIMENTEL

Colaborador

Publicado em:
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=609209

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Bem Vindos

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